Sucesso do bem

Não importa quem você seja na hierarquia, nem quanto ganhe no mês, ou no ano: ser bem sucedido não é ganhar bem, pois executivos ganham bem, mas são seres humanos muitas vezes pobres em um sentido deprimente, muito pior do que não ter a refeição do dia. Ser bem sucedido não depende do que você faz, mas do que sua ocupação, posição, cargo ou não, faz de você como pessoa. Para mim, ser bem sucedido não é ter o que eu quero, na hora que eu quero, mas ser uma pessoa melhor, mais grata pelo que conquistei e pelo que ainda posso conquistar. Ser bem sucedido é aparar arestas dos nossos erros, e não repeti-los, chegando a algum lugar, com o mínimo de dano ao próximo durante o percurso. Ser bem sucedido não é ter, é ser, ser ou lutar para ser honesto, paciente, justo e verdadeiro. Ser bem sucedido é estar em paz consigo, é pedir perdão, é respeitar o fato de que nem todos têm as mesmas oportunidades, não sendo tão pobre de espírito que não possa ajudar quem precisa, e conviver muito bem com tudo isso, com as próprias escolhas inclusive, porque foram feitas não por causa dos outros, mas por causa das próprias crenças e ideais.

O segredo do “stress”

Tenho observado a mistificação do que seria stress, até mesmo por se tratar de uma transliteração, equivocadamente associada com nervosismo, quando em sua tradução e significado quer dizer estafa, cansaço ou exaustão, o que por si já indica mais acertada solução para este mal sofrido: descanse, relaxe e divirta, renove sua mente, faça suas coisas de maneira diferente.

Males da modernidade: a externalização da importância

Desde a revolução industrial, temos sido habituados a ver nas novidades engenhadas e fabricadas, somente os privilégios trazidos por um determinado produto, nunca os vícios ou prejuízos que podem causar às maiorias.

Imaginemos algo que torne uniforme o pensamento das pessoas, que determine quem ou quais assuntos são importantes, quais comportamentos são aceitáveis, etc. Não estou falando de um deus ou guru religioso, estou falando da televisão.

E assim como o ópio entorpeceu a muitos no século dezenove, aprisionando seus adictos na ilusão do artifício, tornando as mentes fracas, ainda mais fracas; e claro, tornando as fortes mais facilmente dominantes, a televisão possui efeito psicossocial muito parecido, mediante a externalização da importância.

Então, ao redor de uma televisão, importa cada vez menos como foi o seu dia, cada vez mais como foi o dia daquela pessoa pública; importa cada vez menos a sua conquista, cada vez mais a conquista da personagem ou da celebridade; importam cada vez menos seus planos, seus sofrimentos, suas crenças, suas alegrias. Tudo vem de lá, de fora, então você sabe o que aconteceu no Japão ou na Antártida, mas não sabe o que se passa com a pessoa ao lado.

Não me admira que falte assunto, ou que o assunto sejam os outros, e não nós. Não me admira que consigamos pouco, enquanto os outros, os que se escutam, os que se ajudam, os que se reúnem, que planejam e trabalham juntos, consigam tanto. Não me admira que haja tanta depressão, tanto abandono, tanto desengano, tanta maldade: as famílias estão deixando de agir como famílias, estão trocando a fruta real da participação positiva, pelo produto aromatizado artificialmente do convívio alienado.

Talvez você não precise de horas conversando com quem está do seu lado, talvez só precise demonstrar verdadeiro interesse por aquilo que é importante para o outro, talvez redescubra o que é importante para o outro e talvez ninguém se sinta mais só em meio aos seus. Tenho feito a minha parte, e você, tem feito a sua?