Nem umas, nem outra

Parece-me que véus foram colocados sobre o pleno conhecimento da verdade, talvez para que o homem pudesse receber menor cobrança, sendo inocente como criança que ainda não foi ensinada. Óbvio que é da vontade divina o nosso conhecimento dos fatos, antes porém, a nossa salvação (1 Timóteo 2:3-4). Ignorar não é uma opção, porque cada movimento é feito uma contração dando à luz seu povo através dos séculos, após aquela ressurreição.

Um exemplo de movimento importantíssimo, apesar de não corresponder ao original, apóstolico, foi o da Reforma Protestante. Mas nem de longe foi o único ou a restauração do exemplar relatado após aquele Pentecostes. Ou seja, desde que a Igreja perdeu sua virgindade com os reis da terra através de Constantino, nosso Rei levantou e ainda levanta homens e mulheres para ajudá-la a voltar atrás, ao primeiro amor. Sendo assim, todos os movimentos de reforma foram apenas “ferramentas usadas na construção de uma ponte no tempo” entre o Cordeiro e sua virgem pura (2 Coríntios 11). Nenhuma reforma foi bem sucedida ou possuiu caráter restaurador, porque todas patrocinam o nascimento do filho varão profetizado (Apocalipse 2:26-29 e 12), não sendo a cura da Babilônia, mas as oportunidades de afastamento dela, numa preciosa analogia com Abraão, o pai da fé, que se afastou da “cidade confusa” para uma terra farta e livre das diabruras da antiga serpente. E depois que as doze tribos precisaram entrar no Egito para não sucumbir, foi laborioso tirar o Egito de dentro daquele povo. O mesmo ocorreu aos que vieram depois dos doze apóstolos, e até hoje o nosso Libertador labuta por remover vagarosamente espinho por espinho, romanismo por romanismo, sincretismo por sincretismo, paganismo por paganismo, engano por engano, do seu povo.

Sendo assim, soa defasada e até ignorante a defesa de apenas um movimento, quando somente os vários movimentos (de círculos no deserto) podem parir os herdeiros da promessa. Não podemos ser seguidores de uma reforma tanto quanto não podemos ser de um sumo pontífice. Homens não poderão nos ressuscitar! Nossa religião ou religação com o Pai não é deste mundo, não está aqui. Sigamos o Cordeiro onde quer que vá, ou seja, abramos os olhos para cada verdade que nos é mostrada com o propósito de nos limpar para a união permanente.

Porque não

A ira do Pai não se abaterá segunda vez sobre o corpo do Filho, que é o seu povo, seus crentes obedientes. O Nazareno efetuou um pagamento com seu próprio sangue em favor dos que se arrependeriam de fazer mais dívidas para si mesmos. Estes foram comprados para a eternidade, e nem a sepultura nem governo algum os poderá reter, porque o propósito de cada um deles vai muito além desta vida. São cevada que não precisa de trilho que as debulhe, são a geração que nasceu no deserto, circuncidada pela imersão e que reparte o pão.

Original que não é falso

O senso de propósito e pertencimento vivido nas primeiras assembléias, certamente superava os similares atualmente vividos nos ambientes laboral e eclesiástico. A proposição neotestamentária de um corpo não é fictícia ou intangível, não naquele contexto de plena operosidade mútua, propiciado pela livre participação dos reunidos, proporcionando um senso de valorização impossível em ambientes e grupos doutrinados à passividade e à inação aparentemente contagiosas devido à supervalorização indevida de cientistas da fé: um evidente resquício da contaminação sacerdotal falsa iniciada através de Constantino, o imperador que não abandonou seus deuses, e que matou em nome do Cordeiro. Um culto nos moldes mitraicos é humanamente pobre, quiçá miserável, se comparado ao esplendor das originais reuniões feitas com o livre direito à palavra, e com a merecida liberdade aos dons favoráveis a todos os presentes, crentes ou não.