Bons amigos

Dizem que amizade é para sempre. Pode ser! Amigo bom é aquele que tanto te ajuda, quanto se deixa ajudar, certo? Talvez já tenhas, em tua experiência de vida, sofrido com alguém que fazia tudo ao contrário do recomendado por ti, e não é uma experiência boa, lembra? Pois é, nosso melhor Amigo nos preparou tudo: o ar que respiramos, a água que bebemos, os alimentos que comemos. E nos acompanha intimamente, porque apesar de nos ter dado liberdade de escolha, nunca quer o nosso mal, e por isto mesmo nos mostra o caminho certo, nos ensina o que ainda não sabemos, não importando a idade, desde que tenhamos humildade, nos esforçando para dar ouvidos ao que nos ensinou, principalmente, através do que está escrito. Uma vez disse: “Não existe maior amor do que este: de alguém dar a própria vida por causa dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se praticais o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai eu compartilhei convosco.” — João 15:13-15

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Correspondido e incompreendido

“Não convém reclamar ao prisioneiro o arrastar de suas correntes” foi o que aprendi com o Primeiro e o Derradeiro, acredito. Se olharmos para esta sociedade, se ouvirmos o que ensina desde sempre, entenderemos a sandice, a limitação dos que, como nós no passado, não obedecem; são muitas as armadilhas, as ilusões que impregnam o ser humano que se opõe às verdades altruístas, imparciais e consequentes das boas novas, o que resulta em injustiças, perversões, astúcias e pretensões que já conhecemos na carne; somos todos capazes de males, quer para proteger um inocente, quer pela dor emocional que outrem nos cause, quer por receio, quer por convicção. Tudo vai da índole de cada um, e digo no sentido etimológico desta palavra tão enevoada, que significa “alimentar internamente” na sua origem latina.

Então notamos facilmente que esta sociedade está realmente “programada” para induzir ao erro, a alimentar o “leão mau” daquela estória popular, não bastasse a inerente fraqueza da carne que em parte nos inclinaria para o mal, a despeito das melhores educações ou tradições, relações ou convicções. Por isto mesmo que um dos apóstolos na fé esclareceu com firmeza, que amando a sociedade, estaremos distantes de quem nos criou, porque da sociedade procedem somente cobiças e presunções que obscurecem seus detentores, ao passo que da Matriz humana, procedem aquelas virtudes mais almejáveis, admiráveis e memoráveis, porquanto humanas e boas para todo homem.

Todavia, como lidar com o “barulho” que perturba nosso “silêncio” interior (ou a maldade que põe à prova nossa bondade), sem se contaminar? “Não peça a quem está no escuro, às apalpadelas, que corra uma maratona” foi o que creio ter recebido Daquele que esteve morto, mas que está vivo para sempre. Para conviver, não basta perdoar, é preciso se posicionar honestamente em face das diferenças, não esperando luz na forma de fidelidade, honestidade, cordialidade ou generosidade, de quem tem visto e imitado escuridão (como muitos de nós fizemos um dia), lembrando que todos são chamados a se converterem de seus maus caminhos. Sendo assim, um outro apóstolo falou bastante em suas epístolas do amor entre irmãos, dando prioridade ao novo mandamento, exatamente porque estes se encontram voluntariamente sob uma mesma regência.

“Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé.” Carta de Paulo aos Gálatas 6:10

“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” Evangelho segundo João 13:34-35

Nosso amor

Nosso amor, enquanto seres humanos em um corpo de carne, está sujeito a falhas, na medida oposta ao quanto sujeitamos nosso corpo à racionalidade cordial, porém nosso amor não precisa estar contaminado, incorrigível e doente, pois através da cultura, especialmente da neotestamentária, podemos pautar nosso conceito de amor em parâmetros firmes, aperfeiçoando nossa prática, cada dia mais humana (e ao mesmo tempo, celeste), a exemplo de quem primeiro nos amou.