Sinto, logo me importo

Almejo o bem de todos, mas primeiramente o meu. Almejo o bem a todos, mesmo que alguns se resignem ao mal. Espero o bem de quase todos, esperando que ninguém conte com a minha inação em face de alguma maldade sofrida. E o que sinto a seu favor, só sinto porque antes sinto a meu favor. Agrada-me muito somar com quem quer que seja, desde que demonstre gratidão em vez de subtrair de mim. No fundo eu gostaria que todos tivessem a mesma certeza que angariei a duras penas: a de que relacionamentos são golpeados por injustiças, e que ninguém que chame ao mal bem e ao bem, mal, terá entendimento com quem não.

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A malícia em súmula

“O amadurecimento e a malícia não são diretamente proporcionais.”

Esta talvez seja uma das primeiras coisas que se aprende aos pés de quem nos quer sãos. Nascido numa cidade onde a esperteza é tratada como virtude, a renúncia da malícia se tornou essencial na minha conversão, e hoje entendo melhor o que foi realizado em mim: uma obra de amor (ágape), já que “o perfeito ágape lança fora todo medo” e que a malícia, assim como a preocupação, são expressões de medo. No caso da malícia, geralmente acompanhada da perversidade, há um “receio” quase permanente de inferiorização, num reforço ao orgulho egoico. E para garantir que serei interpretado corretamente, não me refiro aqui à malícia sexual, mas àquela que convém, a todo ser realmente humano, eliminar do seu trato nos relacionamentos. Também não me refiro à perca da consciência do bem e do mal, geralmente chamada de maldade, mas à proposta de outra frase já publicada (em agosto de 2016) sobre o mesmo assunto:

“Para diminuir a malícia adquirida, basta não praticá-la.”

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