Gente como a gente

Alguns crescem inteiros e se permitem quebrar. Outros crescem quebrados e se permitem consertar. Poucos crescem inteiros e se conservam assim. Muitos crescem quebrados e se conservam assim.

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Em vias de amar

Vou abrir o jogo, e contar como é que funciona para mim, amar. Amar para mim não parte de um sentimento, mas algumas vezes de um discernimento do que é mais justo (comigo e com o próximo) em cada momento. Já outras vezes, da necessidade de dar lugar a um cuidado, alerta ou informação que quem sabe, pode demorar muito a chegar a quem está ali, precisando ouvir aquilo para o bem (como um alerta sobre o perigo de segurar espirros). Você deve concordar comigo que não dá para amar de fato sendo injusto com alguém. Deve concordar que amar não inclui negligência, nem distorção da verdade e nem medo da rejeição. Amar é quem sabe, a melhor forma de ser rejeitado, porque você sabe o que vai, mas não tem garantias do que volta. O amor enquanto sentimento pode ser injusto, egoísta, covarde e até violento, exatamente porque se não corre para fora, apodrece e gera morte, frustração e dor de algo que gostaria que fosse correspondido, que voltasse, mesmo sem que tenha sequer ido. Amar é e só pode ser uma ação, e o amor é uma promessa, uma reserva estática de energia pronta para ser aplicada, recarregada pelo simples ato de viver.

Considero-me uma das pessoas menos indicadas (e mais toscas) para falar de amor, ou melhor, de amar, por causa da infância que tive, mas aprender esta “matéria” de quem, entre acertos e erros, tenho eu aprendido, me permite exclamar: o amor não tem filhos órfãos!

Em rota de colisão

Depois de pouco tempo que cheguei a este planeta, sei do mal de ser mal quisto e visto, sei do outro lado da idolatria, que por emulação, inspira a agressão. Sei da indiferença, da indecência, da impaciência, e da humilhação que uma criança pode sofrer, do coração que pode perder. Sei da automutilação, o desejo sentido, antes mesmo de saber ler. Sei da depressão, o desejo de morrer, antes mesmo de ter crescido. Algumas paredes e alguns amigos, não me deixam mentir, os tantos anos, que olhei menos para frente, do que para o chão.

Mas depois de conhecer a compensação de tanto mal, o lado bonito que nunca me abandonou, clama contra a injustiça não dos agentes, mas dos mantenedores de tanta destruição, que persistem na perseguição do caos, para o reinado da abominação. Sei da vingança, a quem pertence por direito, e neste mesmo, espero por eterna redenção. E com sua permissão, junto meu clamor ao dos indigentes, dos destratados, dos abusados, dos desterrados e enganados, para que com alto som, despertem os dessituados, contra os donos da situação, que são guiados pelo mensageiro da ilusão.