Parábola dos dois irmãos

Um pai precisou viajar por dois anos, deixando a seus dois filhos jovens, todos os recursos necessários para aprenderem um ofício, além de instruções claras a respeito de como deveriam se ocupar, sob a promessa de recompensas na presença do pai, incluindo passeios. Então um deles, aproveitando a ausência do pai, ocupou-se de festas, bebedeiras, orgias, e brigas por diversão. O outro, sabendo que o pai a nada estaria alheio, ocupou-se de seguir-lhe as instruções, agindo da mesma forma que agia na frente do seu genitor.

Retornando da viagem, informado por seus amigos que moravam por ali, ao obediente trouxe um desejável presente, combinando com ele uma viagem a dois. Ao desobediente, privou-o de todos os recursos até que completasse, por sua conta, o aprendizado necessário.

Portanto, quando ouvires falar de arrependimento e purificação, de conversão e abstenção do mal, entenda que não se trata de religiosidade, moralismo ou bitolação, mas de escolhas, da decisão pela obediência às Sagradas Letras, que permitem ao Pai estar com seus filhos, ajudando-os a superar limitações.

“E sabeis que procedemos com cada um de vós como um pai com seus filhos: nós vos temos exortado, estimulado, conjurado a vos comportardes de maneira digna de YHWH, que vos chama ao seu Reino e à sua glória.” 1 Tessalonicenses 2:11-12

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Justiça é a linguagem usada para a codificação da existência

Alguns cientistas dizem que somos poeira de estrelas, todavia somos de fato feitos de justiça, o que não é por acaso, mas por amor.

Livrai-nos do mal que não queremos praticar

Que tal se nós, eu, você e quem mais quiser, focássemos mais no mal que parece vir de dentro, da gente mesmo, do que no mal que parece vir de fora, dos outros? Já parou para notar o quanto nos preocupamos, o quanto nos aplicamos em evitar o mal? “Livrai-nos do mal” talvez nunca tenha feito tanto sentido quanto hoje em dia, mas será que é com o mal de fora que mais devemos nos preocupar? São muitas as maldades, os perigos, os enganos que a “modernidade” trouxe, com certeza; contudo, é a maldade dos outros que macula a nossa consciência, que contamina nossas emoções, que nos diminui enquanto seres humanos? Definitivamente, não. Pode até ser que a fraqueza ou a maldade do outro se torne numa tentação para nós, mas ainda teremos escolha, sempre. Estamos todos aprendendo a andar, especialmente aqueles de nós que se esforçam por acertar, ou melhor, se acertar.

Penso que as palavras imediatamente anteriores ao “livrai-nos do mal” ensinado pelo Mestre explicam de qual mal ele provavelmente estaria falando: não o mal que pode ser sofrido, porque quanto a este, seus discípulos foram alertados de que os alcançaria (daí o pedido de perdão conforme temos perdoado), mas sim do mal que todos, sem exceção, somos capazes de praticar, o qual atua para a condenação de seus adictos (daí o pedido para não cair em tentação), pois qual dos excessos e desvios de conduta não é destrutivo? E se é destrutivo, prejudica primeiro quem o pratica (o qual pouco se preserva ou ama), depois prejudica quem cerca seu praticante (o mesmo que pouco preservará ou amará seu próximo).

Por tudo isto, que a sujeição proposta pelo Mestre não é aos que podem destruir o corpo e depois nada mais podem fazer, porque não é do outro (como Adão de Eva, e Eva da Serpente) que cada um dará contas, mas de si ao que pode destruir tanto o corpo quanto o seu interior.

“Não vos admireis quanto a isso, pois está chegando a hora em que todos os que repousam nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e aqueles que tiverem praticado o mal, para a ressurreição da condenação.” João 5:28-29