Justiça é a linguagem usada para a codificação da existência

Alguns cientistas dizem que somos poeira de estrelas, todavia somos de fato feitos de justiça, o que não é por acaso, mas por amor.

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Os cacos de espelho e a explosão

Para fora do plano das ideias, dos mais preciosos e firmes conceitos morais, o que realmente importa? Viver conscientemente presume a novidade de cada dia, ainda que nossas escolhas tornem os dias bem parecidos. Tudo começa aí, na oportunidade que é cada novo dia. Há um baile acontecendo lá fora, no resto da galáxia, e nada se repete, apesar de haverem ciclos como a nossa respiração. E logo a nossa galáxia se fundirá a outra, ou seja, crescerá em diversidade e tamanho.

De volta ao íntimo humano, alguém já disse que somos espelhos e fumaça, uma espécie de ilusão. Se for verdade, também deve ser que estamos a caminho da realidade, de nos tornarmos reais em um sentido maior. Fato é que a empatia nos move, e aqui não falo da empatia que manifesta ações humanas, dignas, etc. Falo da empatia que os sentidos nos sugerem, então quando vemos alguém dançar, é um pouco como se estivéssemos dançando; quando vemos alguém se deliciando com uma iguaria, é um pouco como se estivéssemos nos deliciando também, e isto tem um efeito exponencial em alguma direção. Note que não estou falando de imitação, ainda que ela faça parte deste tipo de identificação que é também usada por alguns para manipular muitos outros, mas do reflexo de realidade que partilhamos, ainda que parcial: a realidade da mente, ainda que esta não seja exatamente individual. Em outras palavras, queremos viver o que se apresentou bom para os outros, e isto pode até ter a ver com inveja no nosso contexto, mas tem muito mais a ver com o instinto de tribo, no qual o que é bom para um é bom para todos, e é assim que, sem percebermos, a nossa mente funciona, ou pelo menos uma parte dela. E desta experiência coletiva se formam culturas, conceitos morais e ideais, e não de uma natureza humana ou do determinismo genético.

O individualismo é a maior bobagem que se criou, porque somos e sempre seremos um resultado direto ou indireto, objetivo ou subjetivo de todas as variáveis do meio em que vivemos até hoje, portanto os meios importam mais que os fins (em um sentido bem moral, mas igualmente místico). Somos o que vimos, ouvimos, pensamos e escolhemos, mas não somos um mais um, como se um apenas pudesse ser algo: somos todos, somos tribo, somos humanos, estruturalmente iguais, passíveis das mesmíssimas paixões, falhas e conquistas. Esqueça a meritocracia, a competição, a comparação: somos todos seres humanos, e não importa se pensamos, agimos e sentimos das mais variadas maneiras; estamos unidos pelo fato de que somos conscientes.

Desmistificação e ignorância

Com o crescimento da ciência como veículo para compreensão do que os cinco sentidos apresentam como verdade, o pensamento místico e sua riqueza lógica têm sido abandonados, porém a interpretação crua e criativa da realidade sempre foi o método filosófico, e, portanto, científico dos primeiros questionadores, dos primeiros cientistas, os filósofos.

O que os “cegos pela ciência” ignoram, é que o funcionamento ou a mecânica desmistificada de um eclipse, por exemplo, não exclui a mística simbólica, inata tanto ao evento, quanto aos precisos diâmetros e distâncias entre o Sol, a Terra e a Lua, o que é um claro sinal da existência do Criador de todas as coisas, assim como o eclipse, que para os povos, erradamente vistos hoje como ignorantes, em sua óbvia compreensão do que a natureza vinha alertar, consideravam a perspectiva originária do evento celeste raro, ou seja, pensavam exatamente aquilo que se espera que qualquer ser humano deste planeta pense de um eclipse, pensavam o que era natural de se pensar da perspectiva terrena, olhando de baixo para cima, entendendo aquilo como uma linguagem de cima para baixo, que é o que realmente é, ou porventura se o nosso Sol começasse a se expandir para morrer, isto não nos afetaria hierárquica e misticamente de cima para baixo, cientificamente de fora para dentro?

Sendo assim a compreensão científica não anula a mística, pois entender o funcionamento de um equipamento não anula os propósitos para os quais existe, e o propósito é sempre etéreo, dependente da misteriosa consciência (ainda incompreendida pelos neurologistas), para ser reconhecido. E não há lógica e propósito na ordenação dos planetas? Não há sentido e inteligência embutida, pronta para ser “descoberta” e reconhecida, tanto no macro quanto no microcosmo? Para além dos interesses escusos de propagandas científicas ateístas feitas às maiorias e da mistificação exacerbada feita por religiosos igualmente mal-intencionados, está o fato de que o Criador está tanto para o indivíduo, quanto para o Universo, presente, na sombra da força de uma tempestade que assusta os outros mamíferos, no reflexo da água cruza os céus para levar vida aonde a morte já ia imperando, no inexplicável ímpeto molecular de células e vírus, que sem qualquer complexidade neural, como que programados por outrem, lutam por suas existências individuais e em alguns casos, se agrupando, como partes de algo maior que desconhecem por impossibilidade, e que no caso de alguns homens, ignoram por arrogância ou mútua imbecilização.