Soberania ou globalização?

Eis a questão: ser realmente livre em um espaço territorial limitado, ou ser escravo de cada investidor internacional espalhado planeta afora?

A ideia mais comum de globalização se liga ao consumo de bens e produtos feitos em diferentes partes do mundo, e não está tão errada: cada país tem recursos e especialização na produção de algum item, seja alimentício ou tecnológico, que os outros países importam, mas a globalização vai muito além deste intercâmbio, e o outro lado não é louvável como o primeiro, que em grande parte nos beneficia. Continuar lendo

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Uma nação e sua programação

No convívio com algumas pessoas do meu país, percebi que as estas vivem uma espécie de proibição do ser. Por aqui, para você ter uma ideia, um ator que tenta virar cantor, acaba criticado com o antigo jargão “está querendo aparecer” ou “está querendo virar coisas de mais”. Não sei ao certo de onde vem esta cultura tola, mas por sua natureza, quem sabe a possamos entender. Talvez por causa da extinta ditadura, a criação repressiva dada por pais alienados e preocupados com o bem estar de seus filhos (que logo precisariam se enquadrar nas regras do regime), tenha resultado numa mentalidade de despeito, inveja e anulação contra os nossos maiores talentos. Então alguém dirá que se comportando assim, consegue neutralizar a mentalidade maliciosa daqueles que por usurpação (resultado óbvio da mesma mentalidade de despeito, inveja e anulação), tentam se destacar, quer por dever cívico ou autenticidade. Enquanto as pessoas se oprimem ao invés de se ajudar, o império das bundas, do futebol e da cerveja se alastra para áreas de atuação mais encorpadas, como a música, a economia e a literatura: nunca os vilões com tanta facilidade, se tornaram heróis, com suas histórias de traição, poder e engano, enquanto o povo, o meu povo aplaude abobado, qualquer atração da desinformação generalizada. E os amigos jornalistas por formação? Não tem emprego, porque o povo não faz questão da informação completa, não faz questão de saber o que aconteceu na esquina ou no quarto ao lado, para saber o que acontece no Japão, nos gramados  e no mundinho das estrelas, que dançam conforme a música, da mesma maneira que os nossos representantes: garantindo o seu para correr daquele monstro feio, o salário menos do que mínimo.

Resumindo, a maioria dos brasileiros só quer ver o que for mostrado, e só valoriza o que a mídia diz ter valor, porque a mesma mídia representa o troféu disforme e barato, dos mercados, dos interesses das minorias ricas, do sucesso de acordos escusos em quase todas as áreas, e da nossa gente, que como cego em tiroteio, acha quase tudo que realmente importa ruim, mas desconhece de onde provém todo este mal, e mesmo não sendo realmente cego, não quer saber ou não tem “tempo” para descobrir, para desvendar o código da própria prisão. E quem sabe o nosso país não vá para frente, porque o brasileiro simplesmente não quer andar, não quer se achegar para a realidade, porque a ilusão oferece o conforto da ignorância? Porque assim como disse Olavo de Carvalho, “não corre o risco da tão temida zombaria” (destinada a quem pensa um pouco diferente, logo sofrendo perseguição, porque fala o que não disse a “sagrada” televisão), e não correndo o risco da culpa, prefere ter a quem culpar na posição de vítima, desconsiderando que é vítima de si mesmo enquanto nação, guiada não por ideias ou pelo conhecimento dos fatos, mas pela impressão de uma imagem, pela posição ou opinião de uma emissora, pelos valores dos personagens de uma novela, pela emoção de um apresentador de telejornal, e mesmo assim se sentem reis e juízes não da situação, mas de quem tenta fazer algo além do apenas se dar bem, do apenas ser alguém: alguém programado para não ser cidadão, no senso mais humano e responsável que a expressão pode representar.

E como um grupo de pessoas reflete exatamente aquilo a que mais se submete, a República Federativa do Brasil está se tornando, assim como sua mídia e seus líderes, um país de psicopatas de bem, que assim como destacou Arnaldo Jabor, “quando pegos cometendo uma falta, negam tudo” (quer rindo na maior caradura, quer brigando com falsa indignação por sua mentira). Não é por menos, que um dos nossos presidentes foi acusado de ladrão, e ninguém quis saber, senão da condenação dos seus colegas (os peixes pequenos). O brasileiro parece que nunca se cansa do papel de mulher dos malandros, mas deve haver esperança, do contrário seriam um despropósito todas as tentativas de alertar esta nação.

O heroísmo do comum

Estranhamente as pessoas confundem o conceito de super-herói, com o de herói, e esta confusão aparentemente acidental, como quase nada na nossa sociedade o é, vem substituindo o heroísmo da inerente empatia humana, por outros ismos absurdamente desumanos, como o hedonismo, o egoísmo e o mercantilismo. Contudo é possível resgatar da lama dos interesses ideologicamente desumanos, o conceito, o espírito do heroísmo, que na verdade já se encontra, assim como a empatia, na esmagadora maioria de nós, mesmo que escondido. Faremos, portanto, este resgate, identificando quase que religiosamente, atos de heroísmo, não apenas os atos daqueles se arriscam para salvar uma pessoa do fogo, ou um animal doméstico da queda, mas identificando de maneira constante, as pessoas que arriscam suas vidas por uma causa nobre, necessária para o bem de terceiros, muitas vezes se prejudicando para que o bem prevaleça, como é o caso dos setecentos brasileiros que participam do tenebroso programa de proteção à testemunha nacional, o qual transforma a vida daqueles que acreditam na justiça, em um inferno por falta de respeito e estrutura. Igualmente, precisamos reconhecer e amar os heróis históricos de ontem e agora, como Chico Mendes, Dorothy Stang e tantos outros do Brasil e do mundo, que se dedicaram ao amor de suas causas, propondo exemplos a serem considerados e mesmo seguidos, mais do que qualquer estrela da tevê, esporte ou música. A todos que se dedicam cordialmente e sem paga, ao outro, mesmo que desconhecido, este texto, e o encargo de passá-lo adiante, até que nosso heroísmo supere a covardia desumana de alguns.