Sinto, logo me importo

Almejo o bem de todos, mas primeiramente o meu. Almejo o bem a todos, mesmo que alguns se resignem ao mal. Espero o bem de quase todos, esperando que ninguém conte com a minha inação em face de alguma maldade sofrida. E o que sinto a seu favor, só sinto porque antes sinto a meu favor. Agrada-me muito somar com quem quer que seja, desde que demonstre gratidão em vez de subtrair de mim. No fundo eu gostaria que todos tivessem a mesma certeza que angariei a duras penas: a de que relacionamentos são golpeados por injustiças, e que ninguém que chame ao mal bem e ao bem, mal, terá entendimento com quem não.

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Amar as pessoas como elas são?

Quando alguém me diz que eu deveria amar as pessoas como elas são, posso suspeitar que aquela pessoa não se ama como é, e que eventualmente se odeia por suas más decisões; posso suspeitar que aquela pessoa tem a própria consciência aguçada pela consciência de outrem, se sentindo incomodada e até julgada pela expressão do que alguns outros consideram certo e errado para si mesmos; posso suspeitar que aquela pessoa tem medo de ser julgada por uma pessoa claramente mais correta do que ela; posso suspeitar que aquela pessoa espera ter em outrem, cúmplices para seus maus feitos.

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O ágape e o não

O ágape, a afeição, é um ato de entrega, um disparo na escuridão que revela a face de dentro, o estado interior do outro, que pode ressoar ou conter o som, trazer à tona por um estreito o direito de sentir, o universo paralelo alheio. E o que causa dor ou decepção é a expectação do amor voltar como um sinal de vida divina, do aspecto celestial que, no rosto e nos gestos mostraria o bem, tropeça mostrando o mal.

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