Aprendizes na prática

Quando o Nazareno falou que a ninguém deveríamos chamar de pai, seu contexto histórico era muito anterior ao da industrialização, e seus ouvintes eram do povo escolhido na Antiga Aliança. Mas o que foge ao conhecimento de muitos é que, pelo menos os profetas daquele povo costumavam ter jovens prosélitos, a quem chamavam de filhos, porque antes da industrialização, todo jovem que passasse os dias com um adulto (fosse seu pai de sangue ou não) era seu filho, ou seja, seu aprendiz. E este é o sentido da expressão filho em muitos textos do Novo Testamento.

“(…) do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza, filhos da ira, como os outros também.”

Efésios 2.2-3
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Sinto, logo me importo

Almejo o bem de todos, mas primeiramente o meu. Almejo o bem a todos, mesmo que alguns se resignem ao mal. Espero o bem de quase todos, esperando que ninguém conte com a minha inação em face de alguma maldade sofrida. E o que sinto a seu favor, só sinto porque antes sinto a meu favor. Agrada-me muito somar com quem quer que seja, desde que demonstre gratidão em vez de subtrair de mim. No fundo eu gostaria que todos tivessem a mesma certeza que angariei a duras penas: a de que relacionamentos são golpeados por injustiças, e que ninguém que chame ao mal bem e ao bem, mal, terá entendimento com quem não.

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Amar as pessoas como elas são?

Quando alguém me diz que eu deveria amar as pessoas como elas são, posso suspeitar que aquela pessoa não se ama como é, e que eventualmente se odeia por suas más decisões; posso suspeitar que aquela pessoa tem a própria consciência aguçada pela consciência de outrem, se sentindo incomodada e até julgada pela expressão do que alguns outros consideram certo e errado para si mesmos; posso suspeitar que aquela pessoa tem medo de ser julgada por uma pessoa claramente mais correta do que ela; posso suspeitar que aquela pessoa espera ter em outrem, cúmplices para seus maus feitos.

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