Parábola dos dois irmãos

Um pai precisou viajar por dois anos, deixando a seus dois filhos jovens, todos os recursos necessários para aprenderem um ofício, além de instruções claras a respeito de como deveriam se ocupar, sob a promessa de recompensas na presença do pai, incluindo passeios. Então um deles, aproveitando a ausência do pai, ocupou-se de festas, bebedeiras, orgias, e brigas por diversão. O outro, sabendo que o pai a nada estaria alheio, ocupou-se de seguir-lhe as instruções, agindo da mesma forma que agia na frente do seu genitor.

Retornando da viagem, informado por seus amigos que moravam por ali, ao obediente trouxe um desejável presente, combinando com ele uma viagem a dois. Ao desobediente, privou-o de todos os recursos até que completasse, por sua conta, o aprendizado necessário.

Portanto, quando ouvires falar de arrependimento e purificação, de conversão e abstenção do mal, entenda que não se trata de religiosidade, moralismo ou bitolação, mas de escolhas, da decisão pela obediência às Sagradas Letras, que permitem ao Pai estar com seus filhos, ajudando-os a superar limitações.

“E sabeis que procedemos com cada um de vós como um pai com seus filhos: nós vos temos exortado, estimulado, conjurado a vos comportardes de maneira digna de YHWH, que vos chama ao seu Reino e à sua glória.” 1 Tessalonicenses 2:11-12

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Choque de realidade: energia sobrando

Havia um silêncio quase absoluto no ar, um silêncio que parecia se estender por todo o plano terrestre. Em casa, nem o rádio se podia ligar. Na rua, nenhum carro sequer passando. O que aconteceu? O mundo parou de funcionar? Tente acender a luz, tente mexer no celular.

Naquela manhã o café não foi ao forno de micro-ondas. Naquela manhã quase ninguém saiu para trabalhar. Juntos, tomamos a refeição, e com surpresa no coração, paramos de indagar da mesma forma que começamos o dia: unidos. Então nosso trabalho em seguida seria procurar aqueles vizinhos com quem não costumávamos falar, para quem sabe descobrir algo mais, mas ninguém sabia de nada.

Fora os sons de tiroteios ao longe, tudo estava muitíssimo calmo. Aproveitamos para organizar objetos que pudessem ser úteis, enquanto aquela harmonia invadia nosso lar. Voltamos a nós mesmos sem uma televisão para ligar, sem famosos para nos alienar, sem meias verdades para acompanhar, aos poucos nos ouvíamos, conhecíamos e valorizávamos cada hora mais.

Seria este um basta definitivo aos hábitos mundanos e aos enganos de uma sociedade desumana? Às pessoas sobrava tempo, faltavam ambições, posições e outras divisões. Ainda que um bocado de alimento não fosse tão fácil de achar, em cada casa não se achava mais solidão, mas energia sobrando.

A vitória do dia seguinte

Um chefe de família chegou em casa e contou as coisas boas que aconteceram no seu dia: “fui considerado o funcionário do mês, e por isso ganhei um abono e ainda consegui carona com o patrão!” — disse, e agradeceu ao Pai que está nos céus por suas vitórias. Mas naquela mesma noite, em sonho, reviveu alguns dos primeiros momentos daquele dia: quando o trânsito parou, impaciente, murmurou; quando uma lactante pediu algumas moedas, apressado, ignorou; e quando um colega mostrou ter superado certa limitação, ensoberbecido, desmereceu. Então uma voz, ainda no sonho, disse: “você pensa mesmo que seu dia foi de vitórias?” — naquela manhã, ele acordou um pouco mais cedo, e envergonhado, confessou (ao Altíssimo) suas injustiças do dia anterior.