Entre a cruz e as correntes

Faz algum sentido que quem nunca foi tripulação de um navio critique os erros dos marinheiros em suas posições? Com certeza, não faz sentido. Mas, infelizmente, é esta insanidade que muitos crentes amados têm sofrido, por vezes, em silêncio, pelo menos até agora, quando saio em defesa da nossa raça eleita, em favor de quem escrevo estas palavras.

Todos somos humanos, mas nem todos estão na mesma direção, porque a cruz é por amor, mas as correntes são por ego. Muitos têm escolhido as correntes, e ainda que nós, que já fomos igualmente escravos do pecado, ofereçamos as chaves para a libertação e mostremos a cruz para a salvação, os tais escolhem o não que aprendemos a respeitar. Contudo, há algo debaixo do sol que não deveríamos tratar como aceitável.

Aqueles de nós que foram chamados para tomarem, cada um, a sua cruz após o Cordeiro, não devemos acatar, em par de igualdade, as críticas de quem sequer deu o primeiro passo na surpreendente jornada de negar a si mesmo, da vitória de resistir ao diabo. Só quem navega diariamente por estes mares é que conhece seus vários desafios. Óbvio que os incautos dos primeiros séculos desta era reputaram como merecido castigo o tratamento inumano dado ao Mestre e aos seus apóstolos. Da mesma maneira insana que ocorre hoje, aqueles execravam uma experiência que não conheciam, muito provavelmente em favor de seus egos.

E é muito importante ressaltar que normalmente somos julgados por pessoas “melhores” do que nós. Sim, por pessoas que tiveram uma família funcional, uma educação regulada e oportunidades à mesma altura daqueles que nos reputam por ignorantes e manipulados. O que vale aqui não é o que erramos pontualmente em que os de fora supostamente deixam de errar, mas a condição de cada um: até aonde alguém aprisionado pode errar diariamente e acertar de vez em quando, e até aonde alguém alforriado do pecado pode acertar diariamente e errar de vez em quando? Em qual direção cada um está indo? A quem cada um serve? De quem cada um é aprendiz? Não fomos realmente adotados e não somos disciplinados pelo próprio Criador de todas as coisas que nos escolheu? Nossos erros nos levam, através do arrependimento, à comunhão, enquanto os deles, através do orgulho, os levam a mais enganos e à perdição, caso não se convertam.

Com certeza esta mensagem não impedirá a maledicência, a soberba e o dedo em apontado dos sãos que não precisam do Médico contra nós, porém nos colocará em posição de frear o mal-uso, desonesto, do senso de retidão cristalizado que receberam através desta sociedade corrupta, e que costumam arvorar contra os pequeninos que seguem o exemplo das renúncias abominadas pela maioria.

Vamos pedir de coração humilde por cada um dos que nos perseguem, mas sem nos tornarmos cúmplices da perversão moral que os enganou e que, se prevalece de ainda estarmos numa condição passível a faltas que aprendemos a detestar com todas as nossas forças, lição que claramente desconhecem, pelo menos por enquanto.

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