Amar as pessoas como elas são?

Quando alguém me diz que eu deveria amar as pessoas como elas são, posso suspeitar que aquela pessoa não se ama como é, e que eventualmente se odeia por suas más decisões; posso suspeitar que aquela pessoa tem a própria consciência aguçada pela consciência de outrem, se sentindo incomodada e até julgada pela expressão do que alguns outros consideram certo e errado para si mesmos; posso suspeitar que aquela pessoa tem medo de ser julgada por uma pessoa claramente mais correta do que ela; posso suspeitar que aquela pessoa espera ter em outrem, cúmplices para seus maus feitos.

Amar as pessoas como elas são, para mim, é primeiramente respeitá-las sem necessariamente compreendê-las; é suportar as diferenças com reverência, sem coadunar com pensamentos ou comportamentos autodestrutivos; é ter compaixão da forma limitada de ser do próximo, sem chamar o errado de certo para agradá-lo, sem sofrer suas maldades em silêncio. Amar as pessoas como elas são requer que primeiramente eu me enxergue bem para enxergar o outro sem tantas distorções; requer humildade e generosidade; requer menos senso de partidarismo e elitismo, e mais senso de igualdade e neutralidade, que é não esperar o mal de quem nunca te fez algum. Requer não discriminar, mas também não estimular nem apontar os vícios alheios, senão suas virtudes.

Somos todos diferentes, e evitar a rotulação ou o julgamento de quem quer que seja, nos tranquiliza e concede uma índole mais compreensiva do que superficialmente agressiva ou preconceituosa. Contudo, todos temos limites, e a distância saudável deve ser a balança entre o amor-próprio e o amor ao próximo, pois ambos se precisam. Sem amor-próprio, o amor ao próximo é uma máscara, e sem amor ao próximo, o amor-próprio é um desperdício.

Por fim, amar as pessoas como elas são dentro do convívio (e aqui a coisa muda um pouco de figura), é aceitar tudo o que no outro não te prejudica, e chegar a um acordo ou ter firmeza para não aceitar o que prejudica (mediante alguma tolerância), para que ambos, mudando a si mesmos, cresçam juntos, ou simplesmente se afastem.

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