O rei e seu quinto casamento

Era uma vez um rei que estava em idade de contrair núpcias. Então a cada candidata a esposa o impoluto avisava: “Tu não serás a única, terei outras esposas além de ti.” E as cartas de aceite, mencionando o valor de cada dote, chegavam às suas mãos na presença do pai e da donzela. A resposta do rei era imediata e quase sempre positiva, porém o sábio monarca não se casou com todas ao mesmo tempo (o homem não era lascivo), mas a cada gravidez confirmada, convocava uma nova esposa para uma nova festa, e uma nova lua de mel.

Quando a quinta esposa se apresentou, o rei percebeu que ela era diferente, um tanto insolente e de índole duvidosa, porém deveras sedutora. E ao engravidar, foi tomada de profundo ciúme, ao ponto de chantagear o rei: “Por que não posso, como tu, acompanhar-me de outro homem, já que me provocas com estas outras e, agora, com mais uma que logo convocarás? Convence-me do porquê não posso ter outros homens ou permita-me, do contrário fujo com teu filho assim que nascer.”

Em um primeiro momento calou-se o rei, ponderando a questão. E uma noite depois, a respondeu: “Tenho eu seios que possam amamentar minha prole? Tratei-te pior do que às outras?” Calou-se ela. E o rei prosseguiu com doçura em seu tom de voz: “Se eu possuir uma dezena de donzelas fiéis como tu, haverá dúvidas de quem é o pai das crianças? E tu, se dormires com uma dezena de homens a ti fiéis, saberão tu ou eles quem é o pai de cada criança? E ainda que engravidasses de um por vez, poderias tu cuidar e dar o leite a todos os teus filhos?”

Naquela mesma hora a quinta esposa irou-se, indo para seus aposentos, mas à noite, declarou na intimidade, a concordância com o rei. E ele, com muitas carícias, lha disse: “A mulher não é inferior ao homem, pelo contrário, é coroada de honra; tu sempre saberás que um fruto do teu ventre é teu filho, mas o homem, se for traído por uma mulher indigna de viver, não saberá de fato quem é seu filho.” E ela respondeu: “Tua sabedoria enternece meu coração, amado da minha alma. Perdoa-me a rebeldia. Não fugirei, estava apenas com ciúmes.”

Esta história não é um estímulo à poligamia ou à traição, muito ao contrário: é um conto sobre o valor de cada diferença entre homem e mulher, que são diferentes exatamente para alcançarem a bênção de uma prole saudável, emocionalmente regulada pelas figuras de um pai e de uma mãe. Claro que toda mulher deve ter os mesmíssimos direitos civis dos homens, e também deve ter a liberdade maternal de abrir mão destes direitos em detrimento da missão, que é aquela natural, de maior honra existente.

E se você tem uma esposa honrada, seja homem assumindo o acordo firmado publicamente: seja fiel a ela e aos seus filhos. Não apunhale nas sombras o coração que te ama na luz. Valorize o que te foi dado para não perder até o que não tem.

2 comentários em “O rei e seu quinto casamento

  1. Parabéns Igor, não é pelo fato do amor e respeito que nutro por você, pois sempre o tive como meu filho, mas sempre admirei sua inteligência e capacidade de se expressar.
    Sempre valorizo seus escritos, sua capacidade incomensurável de expor suas ideias e pensamentos.
    O que escreveste é uma obra prima; Amei profundamente.

    Curtido por 1 pessoa

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