A malícia em súmula

“O amadurecimento e a malícia não são diretamente proporcionais.”

Esta talvez seja uma das primeiras coisas que se aprende aos pés de quem nos quer sãos. Nascido numa cidade onde a esperteza é tratada como virtude, a renúncia da malícia se tornou essencial na minha conversão, e hoje entendo melhor o que foi realizado em mim: uma obra de amor (ágape), já que “o perfeito ágape lança fora todo medo” e que a malícia, assim como a preocupação, são expressões de medo. No caso da malícia, geralmente acompanhada da perversidade, há um “receio” quase permanente de inferiorização, num reforço ao orgulho egoico. E para garantir que serei interpretado corretamente, não me refiro aqui à malícia sexual, mas àquela que convém, a todo ser realmente humano, eliminar do seu trato nos relacionamentos. Também não me refiro à perca da consciência do bem e do mal, geralmente chamada de maldade, mas à proposta de outra frase já publicada (em agosto de 2016) sobre o mesmo assunto:

“Para diminuir a malícia adquirida, basta não praticá-la.”

E ao passo que percebo ser possível cultivar a inocência na Presença, observo a distorção da crença secular na necessidade de malícia para o amadurecimento, como se a malícia fosse tão eficaz na evitação do mal quanto a sabedoria e o discernimento, os quais reforçam o predomínio do bem no interior do homem, enquanto a malícia é uma defesa desconfiada (e contraditória) do mal que pode vir de fora, a qual também denota fragilidade interior em contraste com a carapaça exterior deste vício, que é bastante desestimulado pelas Escrituras da Nova Aliança.

“A malícia é mãe da astúcia e do engano, enquanto a inocência é mãe da retidão e do sossego.”

Sendo assim, apesar de a malícia estar muito presente na adolescência, pode-se dizer que é inversamente proporcional ao amadurecimento, já que o verdadeiro implica em boa índole, ou seja, no cultivo das virtudes, que parecem-me interdependentes, por sinal.

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