Fora da rede antissocial

Facebook-Down-Thumb Se os motivos pelos quais resolvi “abandonar” a rede social mais popular do planeta forem semelhantes aos de terceiros, não é mera coincidência. O primeiro “grande defeito” da rede é o seu espaço à coleção de amigos, e neste ponto, preciso reconhecer que para encontrar pessoas que um dia conhecemos, é uma ótima ferramenta (assim como o ICQ já foi um dia, exatamente porque estava todo mundo lá, especialmente nos anos noventa), porém a possibilidade “recente” (que não é original da rede) de deixar de seguir alguém que continuará recebendo o que você publica é um “prato cheio” para que somente assuntos casuais e piadas inchem este meio, tornando questões cerebrais, indesejáveis para a maioria. Este primeiro “grande defeito” não existe nas outras redes sociais, e pode ser considerado um estímulo à falsidade e à solidão em rede.

O segundo “grande defeito” da rede é o espaço para as corporações e publicações de famosos, que possuem recursos quase infinitos para “esmagar” as publicações das pessoas reais, com muitas variedades de distrações, as mesmas já presentes na televisão, rádio, revistas, etc. Neste ponto, as pessoas que possuem trabalhos ou têm algo a acrescentar, percebem que as pessoas estão ali para se divertir, não para crescerem juntas; estão ali não para serem valorizadas pelo que pensam ou são (e nem para valorizar as outras pelo que pensam e são), mas para reforçar o “valor” do sistema, do ácido açucarado (refrigerante) preferido, da corporação usurpadora de recursos preferida, do ídolo satanista preferido, etc. Este segundo “grande defeito” existe em outras redes sociais (como o Twitter, que logo na criação do perfil, sugere que o usuário siga “personas” e outros inimigos ocultos do povo). Definitivamente o Facebook não é um meio saudável, apesar de as pessoas terem ali um simulacro do que é liberdade de expressão.

Portanto, a “rede antissossial” não é um meio produtivo, porque mesmo estando “todo mundo” lá, não “se adicionam” para terem papos saudáveis ou se unirem em torno de causas, mas para entreterem umas às outras, para curtirem os momentos, sim; para se aproximarem por afinidades, sim; mas também para fortalecerem a desunião, a ignorância, o despeito, e qualquer outro vício do caráter humano, porquanto inseridas em um sistema doentio que as leva a isto (mesmo que em relação a uma ou duas pessoas somente), uma rede programada para deprimir, para marginalizar diferenças e para igualar comportamentos.

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3 pensamentos sobre “Fora da rede antissocial

  1. Concordo em partes. Facebook tem contribuido para me informar tambem, ja que nao me dou muito bem com sites de pesquisa e tal rs.
    Facebook tem sido uma valvula de escape pra quem nao tem vida social, pra quem se sente sozinho, mas assim como vc disse, eh meio muito maior de ficar sabendo da vida alheia. Bom pra voltar o contato com gente que nao se ve ha muito tempo, oq as vezes eh so questao de fofoqueirismo mesmo, saber se a pessoa ta numa boa ou nao (falo isso pq eu, infelizmente tbm faço isso, mas nao por maldade mas por curiosidade, sou bastante curiosa, vc sabe rs). Mas apesar de tudo, Facebook tem me feito rir qdo nao to bem e qdo nao quero ninguem por perto, me distraido qdo meus amigos estao ocupados, me ajuda qdo fico pensando com meus botões rs. No geral, tudo tem seus dois lados: o bom e o ruim, eh so sabermos como usar.
    Beijossss

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    • Oi Mari, obrigado pelo comentário sincero. Se “a rede” fosse um sistema virtuoso (o que é raríssimo vindo das criações humanas), ressaltaria o melhor que há nas pessoas. Mas segundo estudos da Universidade do Missouri, o Facebook pode sim, levar à depressão (com certeza por um dos defeitos estruturais que citei originalmente). De fato, depende de como você usa a ferramenta, que como concordamos, pode ser muito útil nos reencontros e um pouco útil nas relações por afinidades, porém a proposta original de unir amigos, conhecidos e familiares em um lugar, se perde nas dinâmicas “defeituosas” da programação do site (na verdade, intencionais, porque nenhum grupo poderoso tem interesse no fortalecimento social e ideológico das pessoas, que inicialmente usufruíam de uma “web” borbulhante de interesses humanos, de troca e reconhecimento mútuo, agora aceitam uma “web” morta nos interesses comerciais, o que influencia nos relacionamentos, como fora da “web” já se via). Repare, Mari, que a experiência individual de uma criança e de um idoso, de um hippie e de um executivo tendem a ser radicalmente diferentes no uso do Facebook, e em nenhum dos casos, a experiência individual serve como referência para o que foi proposto originalmente aqui, que é uma crítica elementar aos defeitos da rede em si, ainda que tenha muita gente boa lá, publicando coisas legais ou relevantes, “esta rede não deve ser usada para integração entre pessoas, e não substitui as interações sociais; usar esta rede para promover valores ou debater ideias pode causar danos à sua saúde mental, e eventualmente ocasionar sensações de isolamento e rejeição, sendo indicada apenas para pessoas que não falam o que pensam, ou que são cuidadosas em não serem quem são para manter os próprios amigos como seguidores” (adverte o ministério do bom senso).

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  2. Pingback: Fora da rede antissocial: addendum | Papo Boa Cuca

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