Tolerância binária

Das pessoas de perto, tolero quase tudo, e muitas vezes com um sorriso no rosto, tolero que me questionem: afinal ninguém está acima do bem e do mal; tolero que me insultem: mesmo porque todo insulto, ou é superficial (daqueles feitos na hora da raiva), ou terá algo a ensinar, se for realmente pessoal; tolero até que me queiram mal, que me amaldiçoem, ou que falem o que de fato pensam de mim a terceiros, pois estou ciente de que nem sempre me importo em agradar. Então tolero que me invejem por qualquer bobagem, que me ignorem pelas nossas diferentes maneiras de viver e ver a vida, que ajam como se fôssemos próximos, ou que se aproximem um pouco mais apenas por algum interesse momentâneo e leviano.

Contudo, não tolero por muito tempo, que agridam minha sanidade, que desrespeitem minha inteligência, que prejudiquem minha cognição, mentindo, e muito menos dissimulando para mim. Não tolero o ser tratado com inferioridade ou astúcia, afinal todos, de qualquer idade, estamos neste mesmo planeta. Tolero que riam, que escarneçam de mim, desde que possam me mostrar qual a graça, para que eu, rindo ou não, possa aprender com o humor de quem me quer bem. Tolero até que me elogiem procurando desmerecer, mas não tolero o desmerecimento displicente ou insincero. A discordância aprumada de quem ouviu bem para argumentar bem, o juízo de caráter de quem não procura se colocar acima, mas se importa o bastante para corrigir? Estas coisas não tolero, mas celebro.

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